Mercados Hoje: Malabarismo

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30/03/2017 POR: Guide Investimentos

Os mercados internacionais apresentam um leve fortalecimento do dólar contra o Euro, e ativos de risco respondendo de forma mais negativa. Commodities recuam nesse contexto, e o desempenho para emergentes deverá ser fraco. Investidores refletem o tom mais brando sobre a politica monetária do Banco Central Europeu e estão em compasso de espera para a divulgação da terceira revisão do PIB norte americano do quarto trimestre. Aqui, investidores digerem o anúncio das medidas para reequilibrar o Orçamento e aguardam o Relatório Trimestral de Inflação (RTI).

Cenário Externo: Próximo da estabilidade, sem novidades.

Mercados: os ativos de risco estão performando de forma mais negativa. Investidores aguardam mais sinais sobre o ritmo da normalização da política monetária norte americana, ou em outras palavras, o número de altas esperadas para o juros. Além disso, estudam como será a agenda da gestão Trump para a reforma tributária e de incentivo aos investimentos em infraestrutura.

O petróleo recua 0,20% na sessão, após apresentar forte valorização de 2,36% ontem. A queda acima do esperado nos estoques de gasolina impulsionaram uma recuperação da commodity que ainda acumula queda superior a 9% em março.

Na agenda será importante acompanhar os Fed Boys, além do PIB (09h30) e dados de seguro desemprego (09h30). Do Fed discursam: Loretta Mester, do Fed-Cleveland (10h45); Robert Kaplan, Fed-Dallas (12h00); John Williams, Fed-San Francisco (12h15); e William Dudley, Fed-Nova York (17h30). Recentemente, os dirigentes do Fed têm adotado um tom mais agressivo.

No Brasil: Meta de inflação pode ser menor; RTI concentra atenções; Contingenciamento de despesas da União é maior que esperado.

Ontem, no início da noite, os ministros Henrique Meirelles, da Fazenda, e Dyogo Oliveira, do Planejamento, detalharam como equilibrarão o descasamento extra de R$ 58 bilhões no Orçamento para atingir a meta de déficit de R$ 139 bilhões em 2017. Fizeram um malabarismo para conseguir rearranjar o orçamento, não recorrendo ao aumento de impostos. Mesmo assim, retirar desonerações fiscais acaba aumentando os impostos…

Os R$ 58,1 bilhões virão de: (i) corte de despesas de R$ 42 bilhões; (ii) venda de hidrelétricas que estavam sob controle da Cemig de R$ 10,1 bilhões; (iii) fim da desoneração da folha de pagamentos de R$ 4,8 bilhões; e (iv) alta do IOF para cooperativas de crédito de R$ 1,2 bilhão.

O contingenciamento de despesas da União foi maior que o esperado, enquanto a alta da carga tributária é mais limitada que o esperado. Para Meirelles o aumento de impostos seria prejudicial à retomada econômica. Vale comentar que o contingenciamento poderá ser menor com receitas de decisões judiciais de precatórios, que podem abater até R$ 8,7 bilhões.

Sobre o fim da Desoneração da Folha de pagamento, 56 setores da economia têm o benefício fiscal de pagar menos encargos trabalhistas. O governo anunciou que vai encerrar esse regime para alguns desses setores a partir de julho. O interessante da reoneração foi a preservação de alguns setores, especialmente os de mão de obra intensiva, como de transporte coletivo, construção civil e obras de infraestrutura. O curioso foi a manutenção do auxilio para as empresas de comunicação, que não foi explicada.

Ao longo do dia, investidores estarão atentos à repercussão do Relatório Trimestral de Inflação (RTI) para calibrar as apostas no ritmo de corte dos juros por parte do Banco Central. Registre-se: o Painel da Folha de S. Paulo, divulgou que Henrique Meirelles quer reduzir a meta de inflação para 4,25% já para 2018, sem dizer como obteve a informação.

Ainda no lado “macro”: vendas no varejo de janeiro e a PNAD devem reforçar o cenário desafiador da economia real, mas com sinais mais animadores.

No front político: Foi adiada para a próxima semana a votação do Projeto de Lei Complementar, que institui o Regime de Recuperação Fiscal dos Estados e do Distrito Federal. O projeto socorre estados fortemente endividados com uma moratória de três anos da dívida com a União em troca de medidas de ajuste fiscal. A proposta estabelece, entre as contrapartidas, a privatização de bancos e companhias de luz e saneamento; corte de cargos; e proibição de aumentos para servidores públicos.

E os mercados? Com o cenário externo mais negativo, o Ibovespa deve abrir pressionado para baixo. O contrato de dólar negociado na BM&F deve seguir movimento de valorização verificado no exterior. E a curva de juros deve responder ao RTI, mas o IGP-M aquém do esperado em março, pode favorecer a continuidade da queda dos juros mais curtos no mercado futuro.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +1,37%, aos 65.528 pontos;
Real/Dólar: -0,69%, cotado a R$3,1197;
Dólar Index: +0,29%, 99,998;
DI Jan/19: -3 pontos base, de 9,46% para 9,43%;
S&P 500: +0,11% aos 2.361 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg

Empresas:

BM&FBovespa: Novo nome da Companhia após a fusão é B3, Bolsa Balcão Brasil
Impacto: Neutro.

CCR: Companhia nega intenção de compra
Impacto: Neutro.

Cemig: Companhia perde novas liminares de usinas
Impacto: Negativo.

Eletrobras: Proventos e indicação no conselho
Impacto: Marginalmente positivo.

JHSF: Resultado no 4T16 impactado por eventos não recorrentes
Impacto: Negativo.

Petrobras: estatal desiste de venda de campos
Impacto: Marginalmente negativo.

WEG: Fecha contrato para construir complexo solar de R$ 450 milhões
Impacto: Marginalmente positivo.

Jornais:

Folha de S. Paulo
* Candidatura de Doria em 2018 ganha força no PSDB (Manchete)
* Meirelles estuda cortar meta de IPCA 2018 para 4,25%
* Relator quer cassar chapa e indica manter Dilma e Temer elegíveis
* Procurador diz ao TSE que não há elementos para ligar Temer a financiamento ilícito de campanha
* Para Renan, governo “desmerece” PMDB do Senado; Planalto analisa recriar ministério
* Oi poderá sofrer intervenção já na semana que vem, segundo governo

O Estado de S.Paulo
* Governo corta R$ 42,1 bi e acaba com desonerações (Manchete)
* Reforma da Previdência pode ter mais dois recuos em relação a proposta original
* Julgamento da chapa Dilma-Temer deve ser interrompido por pedido de vista
* Temer vai antecipar nomeação de Admar Gonzaga no TSE

O Globo
* Prisões revelam dimensão da corrupção no Rio (Manchete)

Valor Econômico
* Cabral negocia delação e mira juízes (Manchete)
* Viracopos e Galeão vão repactuar concessões
* Justiça Federal libera bens da Odebrecht
* CVM nega pedido da BNDESPar contra estatal mineira
* Petrobras trabalha para captar no mercado externo na semana que vem

Boa leitura a todos!

 

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