Nem tão “detalhe” assim…

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03/06/2017 POR: Guide

Este comentário visa atualizar o comentário do último dia 15 de março (“Taca-le pau nesse carrinho’, e nos juros”). A conjuntura – atividade abaixo do esperado, e inflação fraca e bem ancorada –, aliada à comunicação do banco central (BC), nos fez mudar o nosso cenário-base. Um ajuste. Agora, acreditamos que o BC deve acelerar os cortes da Selic, apesar das incertezas que ainda pairam sobre o cenário político (tramitação das reformas em Brasília).

Acreditamos que o BC cortará a Selic em -1,25 p.p. no COPOM deste mês (dias 30 e 31). Assim, a Selic iria para 10,00%, dos atuais 11,25%. No final do ano, vemos a Selic em 8,50%, contra os 8,75% do nosso cenário-base anterior. Segundo o Boletim Focus — relatório divulgado pelo BC, e que compila as projeções de diversas instituições –, o mercado também espera uma Selic de 8,50%.

Motivos para o ajuste de nosso cenário-base:

1. dados recentes de atividade (incluindo a produção industrial e os dados do setor de serviços) mostraram fraqueza no final do 1o tri, abaixo daquilo que esperávamos (embora acreditemos que o PIB do 1o tri deva crescer em relação ao anterior — algo que o IBGE ainda vai divulgar);

2. projeções de inflação seguem sendo revisadas para baixo (segundo o último Boletim Focus, o mercado já projeta IPCA abaixo de 4% neste ano, e de 4,50% em 2018). Pode-se dizer que o BC tem feito um bom trabalho, e conseguiu, por fim, “ancorar” às expectativas de longo prazo da inflação em torno da meta;

3. dados de inflação têm sido mais baixos no curto prazo. A grande safra deste ano (26% acima da do ano passado, segundo projeções do próprio IBGE) tem contribuído para pressionar a inflação para baixo, diga-se de passagem. Ou seja: não são só os efeitos da recessão;

4. por último, mas não menos importante: a comunicação do BC é importante. Afinal, Ilan Goldfajn, o presidente da instituição, não parece desconfortável com a intensificação dos cortes de juros que o mercado começou a precificar. Poderia ter feito algum comentário neste sentido, caso fosse o caso. E, além disso, sabemos que na última reunião do Copom (abril) esta possibilidade — de corte de 1,25 p.p. — já havia sido discutida, e “estava sobre a mesa”. Ou seja, estes “detalhes” não nos parecem ser tão detalhes assim.

Uma observação: ainda não vemos uma Selic abaixo de 8,50% no final deste ano, e isto se deve à discussão sobre os “juros estruturais”. Afinal, para que a redução da Selic (juros nominais) não gere desequilíbrios de médio prazo (inflação em alta, por exemplo), o BC precisa saber o quão abaixo do “juros estruturais” ele colocará a Selic.

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