Mercados Hoje: Reciprocidade vem desde Roma

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05/01/2018 POR: Guide Investimentos

Introdução: O mercado está à espera dos dados do mercado de trabalho norte americano. Os números devem evidenciar um mercado de trabalho aquecido, mas o principal será monitorar o comportamento dos salários. O céu de brigadeiro continua no exterior e o rali dos mercados prossegue. Aqui, no Brasil, os investidores monitoram a possibilidade de uma decisão rápida no caso de Lula, a criação de uma PEC para flexibilizar a “Regra de Ouro” e a candidatura de um nome único de coalizão do “Centrão”. Do lado macro, o destaque é a produção industrial de novembro.


CENÁRIO EXTERNO: PAYROLL DEVE DITAR O DIA.

O “básico” dos mercados… As bolsas da Europa mantêm o rali verificado nas ultimas sessões, após sessão positiva na Ásia. Nos EUA, o S&P futuro já sinaliza uma abertura positiva. O dólar que muda um pouco a dinâmica verificada nas últimas sessões e sobe frente a seus principais pares, e opera misto frente às moedas dos emergentes. Commodities com viés mais negativo hoje, também por conta do fortalecimento do dólar.

Payroll… Depois da forte criação de empregos, acima do esperado pelo mercado, divulgada ontem pela ADP a expectativa é de mais um dado robusto hoje. O relatório do mercado de trabalho americano será conhecido às 11h30. Espera-se a criação de 190 mil postos de trabalho, mas o numero pode surpreender para cima. Relevante será monitorar a variação dos salários hora. Uma aceleração mais acentuada deste indicador deve ser capaz de interromper o ciclo positivo atual dos mercados financeiros globais, visto que a inflação poderá acelerar e consequentemente o ritmo da alta de juros. Números dentro das expectativas podem trazer novas rodadas de busca por ativos de risco. A projeção indica para uma manutenção da taxa de crescimento dos salários em 2,5%.

Hoje, na agenda… Além do Payroll, mais alguns indicadores devem mostrar uma economia saudável nos EUA. O ISM de serviços será divulgado às 13h e os pedidos de bens duráveis também. O primeiro a expectativa é de uma leve aceleração para 57,6 em dezembro de 57,4.

 


BRASIL: RISCO EM BAIXA, MESMO COM S&P; PEC PARA FLEXIBILIZAÇÃO DA “REGRA DE OURO”; PREVIDÊNCIA; E ELEIÇÕES.

Flexibilização da “Regra de Ouro”… Com dificuldade para cumprir a “regra de ouro” das contas públicas em 2018, e dizendo ser impossível respeitá-la em 2019, a equipe econômica prepara em parceria com parlamentares uma proposta de emenda constitucional para poder flexibilizá-la. A norma constitucional visa impedir que se recorra ao endividamento público para o pagamento de despesas correntes, que são gastos com custeio e manutenção. Só é permitido ao ente público se endividar para fazer investimentos ou refinanciar a própria dívida. O assunto foi debatido em reunião ontem entre o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e os ministros Henrique Meirelles (Fazenda) e Dyogo Oliveira (Planejamento).

Como flexibilizar? O anteprojeto em discussão, elaborado pelo deputado Pedro Paulo (MDB-RJ) a pedido de Maia, permite que a União ignore a regra por um período e contraia dívidas para pagar os gastos do dia a dia, mas em troca de uma série de contrapartidas para se enquadrar na norma – como medidas para reduzir despesas obrigatórias. Ainda há divergências sobre quais seriam as contrapartidas e a abrangência da PEC. A equipe econômica defende limitar o texto a mudanças na regra de ouro, por considerar que serão mais facilmente aprovadas, já que partidos de oposição podem ter interesse em apoiar o projeto, caso vislumbrem chance de chegar à Presidência em 2019, quando a ameaça de responder por crime fiscal se tornaria problema deles.

Tem mais por aí… Segundo Pedro Paulo (MDB-RJ), além da flexibilização da regra de ouro, há na mesa de negociações um “pacote” com outras medidas para serem incluídas na PEC, com mudanças nas regras de despesas obrigatórias e desvinculação de receitas. “Temos um pacote de 27 medidas inicialmente para dar mais liberdade para decisões do presidente da República e do Parlamento no Orçamento, mas estou tentando dar uma enxugada”, declarou.

TRF-4, Lula, e as eleições… O Mercado está cada vez mais colocando na conta a possibilidade do Lula não concorrer as eleições de 2018. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região deve analisar o caso de Lula no dia 24 de janeiro. Lembramos: o ex-presidente foi condenado por Moro a 9 anos e 6 meses de prisão, no caso do tríplex do Guarujá; na sequência, recorreu ao Tribunal. Se a sentença for mantida, Lula, na teoria, pode ficar inelegível para as eleições de 2018.

O fim da novela? O julgamento do TRF-4 (dia 24) tem que apresentar um placar unanime para confirmar a condenação pelo caso do tríplex. Os ministros, porém, podem apresentar divergências nas penas. Se um deles optar por uma pena menor, o ex-presidente poderá recorrer com embargos infringentes, que serão julgados no rápido prazo de 15 dias. Significa que a sentença final na segunda instância sairá em fevereiro.

Inelegível já é outra historia… Ficar, ou não, inelegível, é uma decisão que caberá ao TSE – decisão que poderá ser tomada a partir de agosto/18, considerando que o PT manterá a candidatura de Lula até lá, e recorrerá, caso necessário. Ou seja: embora a proximidade do julgamento está fazendo preço nos mercados, parece-nos simplista pensar que a decisão do TRF-4 (que caminha rápido, e deve confirmar a condenação de Moro), por si só, será “o fim da novela”.

Buy, Buy, Buy… Fica claro que o movimento de alta recente está sendo bastante influenciado pelo fluxo externo. A entrada de recursos está sendo muito relevante. Já no primeiro pregão do ano, a bolsa recebeu o segundo maior ingresso de capital externo desde setembro (R$ 866 milhões). O ambiente externo favorável a tomada de risco, o ciclo mais positivo da economia interna e as últimas novidades no campo político estão animando os investidores. A China e as commodities em um segundo plano também colaboram.

E a Previdência? O Governo ainda não tem os votos necessários. A batalha continua. Depois de pegar mal as declarações de Carlos Marun, que admitiu negociar empréstimos da Caixa em troca de votos a favor da proposta, o ministro Moreira Franco afirmou que houve má interpretação, mas que a “reciprocidade” acontece desde o Império Romano. Já o ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP), afirmou nesta 5ª (4.jan.2018), que sua pasta separou R$ 500 milhões em 2017 em emendas de congressistas ao Orçamento cuja liberação não era obrigatória. Questionado se esse tipo de emenda pode ser usada como “moeda de troca” com o Congresso, o ministro afirmou que sim. “Podem, são liberalidades do governo”. Isso é inerente a quem governa.

E os mercados hoje? O viés para os mercados locais é misto. O Ibovespa deve se favorecer do ciclo positivo da economia global e interna, e da grande liquidez. O dólar deve se fortalecer como estamos verificando no exterior, o que deve também pressionar a curva de juros (DIs) para cima. Essa dinâmica pode se inverter com o Payroll. Conforme falamos, uma variação mais forte no salários hora pode levar os investidores a tomar posições mais defensivas.

 

 

Luis Gustavo Pereira – Estrategista

 

 


SOBRE O FECHAMENTO DO ÚLTIMO PREGÃO:

Ibovespa: +0,84%, aos 78.647 pontos;
Real/Dólar: -0,22%, cotado a R$3,231;
Dólar Index: -0,34%, 91,823;
DI Jan/21: -02 pontos base, 8,830%;
S&P 500: +0,40% aos 2.724 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg


EMPRESAS:

B3: Empresa de shoppings, Almeida Junior, é candidata para IPO neste ano
Impacto: Marginalmente Positivo.

Usiminas: Cia fecha aumento de 18% a 23% com montadoras, o mesmo percentual firmado pela CSN
Impacto: Positivo.


Jornais:

Folha de São Paulo
– Contra dívida maior, Temer busca mudar regra de gasto
– Prefeito pede Exército em julgamento de Lula no RS
– Trump ameaça ir à Justiça contra livro sobre Casa Branca
– Maiores terrenos desocupados de São Paulo devem R$ 180 milhões em IPTU

O Estado de São Paulo
– PCC recruta venezuelanos em penitenciária em Roraima
– Temer quer alterar regra de pagamento de despesas
– Bancos estatais derrubam crédito para o setor público
– Itamaraty não sabe onde está brasileiro preso na Venezuela

O Globo
– Crise ameaça vagas em hospitais da UERJ e UFRJ
– Sem dinheiro, escolas de samba cortam alas
– Governo pretende mudar regra fiscal
– Moreira defende candidatura única

Valor Econômico
– Governo quer mudar “regra de ouro”
– Postos de Belo Horizonte são acusados de formar cartel
– Fazenda vê dificuldade em cumprir teto
– Aço para montadoras aumenta 23%

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