E agora, Tavico?

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07/03/2017 POR: Guide Investimentos

Estamos observando um cenário muito positivo para Brasil nesse começo de 2017, bastante em linha com o que temos observado também ao redor do mundo. Os índices acionários dos EUA e da Alemanha apresentam alta por volta de 5% no ano, em meio ao contexto de juros baixos e recuperação heterogênea, mas gradual das economias.

Aqui, o Ibovespa acumula ganhos por volta de 10% no ano. A entrada de capital estrangeiro, a procura por maior retorno com a volta do apetite do investidor local e a queda das taxas de desconto, beneficiaram o desempenho em Renda Variável.

Nossa visão positiva com Brasil se sustenta desde agosto do ano passado, quando passamos de uma recomendação Neutra para Positiva (posicionamento acima do neutro nessa classe de ativos).

E agora?

O noticiário político começou a ficar mais negativo recentemente, o que está gerando alguma cautela. A mídia está trazendo muito ruído com as delações de Marcelo Odebrecht, que serão conhecidas em breve. Nossa visão muda? Por enquanto, não! A lista de políticos citados é extensa, e muitos ficarão debilitados. Provas materiais levarão os acusados a perderem o cargo. Acusações sem evidências concretas serão apenas barulho. Chocante, mas não muda o jogo.

Mas por que se manter otimista?

1- Nada indica, até o momento, que a aprovação das reformas necessárias será postergada. A Previdência sofre o bombardeio esperado. O governo deve ceder em alguns pontos, mas a essência da proposta deve ser mantida. Além da Previdência, reformas tributárias e trabalhistas serão muito bem vindas, e estão andando nos bastidores;

2- O presidente quer alterar as regras do PIS ainda este mês e a da Cofins até julho. A ideia do governo é iniciar a reforma através de medidas provisórias. Juntos, PIS e Cofins representam hoje cerca 20% da arrecadação total do governo federal. Caso a estratégia funcione, o governo pretende iniciar a reforma do ICMS no segundo semestre de 2017, diminuindo as alíquotas cobradas nas operações entre estados brasileiros. O tempo é curto para o governo, visto que em breve o mercado se voltará para a disputa presidencial de 2018;

3- Michel Temer parece blindado, até agora, mesmo com sua baixa popularidade. Deve se manter no cargo, pela falta de provas materiais de que recebeu dinheiro ilegal de forma direta. A cassação da chapa Dilma-Temer via TSE deverá ser postergada;

4- Negociação das Reformas: Eliseu Padilha, que estava à frente das negociações, está em licença e pode precisar de um período mais longo para se recuperar de uma operação na próstata. A chance dele sair aumentou, o que pode levar o próprio Presidente da Republica ao front das negociações. Podemos ver algum desgaste, mas as reformas avançam;

5- O ritmo de corte da taxa de juros está ajudando na expectativa de retomada da economia, que do lado real, infelizmente, será muito gradual. O positivo é que o fundo do poço parece ter ficado para trás.

Em suma, mantemos convicção de posicionamento nos ativos que se beneficiam de uma retomada de Brasil, sempre atentos aos riscos geopolíticos no exterior e ao momento que os investidores começarão a mirar as eleições de 2018.


LUIS GUSTAVO PEREIRA
Graduado em Administração de Empresas pela ESPM, com pós-graduação em Economia e Setor Financeiro pela USP e MBA em Finanças pelo INSPER. Tem mais de 7 anos de experiência no mercado financeiro. Atualmente, é o estrategista da Guide Investimentos.

 

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