E agora, Tavico?

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03/06/2017 POR: Guide

Desde 2008 não tínhamos o acionamento do Circuit Breaker no mercado brasileiro. Nem mesmo na Black Monday, quando os Estados Unidos perderam o rating triplo A, pela agência de classificação de risco S&P, o Ibovespa acionou o mecanismo (que permite o amortecimento e o rebalanceamento das ordens de compra e de venda).

O terremoto político (FriboiGate), que: (i) assolou o valor de mercado das empresas brasileiras; (ii) desvalorizou fortemente o Real; e (iii) teve um impacto relevante no prêmio da curva de juros e nas expectativas da política monetária ainda não se reequilibrou.

Tivemos um evento de baixíssima probabilidade, que de forma inesperada implodiu vários questionamentos…

E agora, Tavico?

Trabalhávamos com um cenário base de aprovação das reformas estruturais necessárias para o país, principalmente a da Previdência, ainda no primeiro semestre desse ano. Esse timming já se deteriorou, pelo fato da proposta já precisar de uma data para ir ao plenário da Câmara dos Deputados. O que esperamos para as próximas semanas ao invés da divulgação da data da votação das reformas será a paralisia dos trabalhos no Congresso.

Esses fatores levaram o mercado a uma reprecificação: o Ibovespa e o dólar voltaram exatamente para patamar do final de 2016. É como se os avanços conquistados nesse ano se esvaziassem.

Qual a expectativa agora?

Vemos que o avanço das reformas congelou, as Parcerias Público Privadas esfriaram, o investidor estrangeiro deve esperar mais para acelerar seus investimentos no país e a recente melhora dos indicadores de confiança se inverterão.

O melhor seria a renúncia ontem, mais rápido e prático, até mesmo para a construção de um cenário prospectivo. Por enquanto não conseguimos ter um cenário base, apenas suposições: eleições indiretas > Rodrigo Maia; Carmem Lucia; Henrique Meirelles; Lula; candidato consensual?

O mais provável

Ainda não sabemos o que virá no curto prazo, nem mesmo a constituição está tão preparada para a situação que se avizinha. O que pode mudar é a tendência do mercado e não podemos descartar a mudança de patamares de preços. O rali na bolsa, com a melhora no custo de capital (queda de juros e percepção de risco Brasil) começou em 57 mil pontos e foi até 69 mil pontos. O movimento do dólar começou em R$ 3,50 e foi até 3,10. Se perdemos os avanços recentes (paralisação das reformas, piora dos indicadores de atividade e mudança na agenda do “novo governo”) voltar para esses patamares é apenas o primeiro passo.

Mas…

O mercado ainda pode exigir mais prêmio para tomar risco, com a indefinição das eleições de 2018. Os movimentos populares que devem emergir agora no curto prazo podem aumentar a temperatura das discussões políticas. Com isso, a tendência pode se reverter para baixa, e os mercados podem voltar a patamares relativamente recentes de indefinição política e econômica: dólar @ R$ 3,70-R$ 3,80 e Ibovespa @ 50-55 mil pontos.

Por enquanto, tudo incerto, surpreendente, nebuloso, conspiratório e regressivo. Em breve teremos outro comentário para passar uma expectativa um pouco mais clara.

LUIS GUSTAVO PEREIRA
Graduado em Administração de Empresas pela ESPM, com pós-graduação em Economia e Setor Financeiro pela USP e MBA em Finanças pelo INSPER. Tem mais de 7 anos de experiência no mercado financeiro. Atualmente, é o estrategista da Guide Investimentos.

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