O Banco Central confessou

Quais foram as novas sinalizações do BC? Quais serão os próximos passos do BC?

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03/06/2017 POR: Guide

Saiu hoje pela manhã a ata da última reunião do Copom (comitê de política monetária). Embora esteja bastante claro que os juros continuarão a cair nos próximos meses, não sejamos ingênuos: há incertezas no ar, com grande potencial para afetar os nossos investimentos.

Antes de comentarmos o documento de 5 páginas que acaba de sair, aproveitamos para lembrar: o Banco Central (BC), no último dia 12 de abril, decidiu pelo corte de 1 ponto percentual da Selic, de 12,25% para 11,25% ao ano. Foi uma decisão unânime, que ficou em linha com aquilo que o mercado esperava. Agora vamos ao que interessa…

Perguntas a serem respondidas:

(i) quais foram as novas informações/sinalizações do BC?; e

(ii) quais devem ser os próximos passos do BC?

Começamos pela 2ª pergunta. Em nossa opinião, o cenário-base não muda. O nosso último comentário econômico (dia 15/março) segue atual, acreditando que no próximo Copom (dias 30 e 31 de maio) a Selic cairá 1 p.p. (de 11,25% para 10,25%) e, no final do ano, esta deve se aproximar de 8,75% ao ano.

Neste momento, continuamos a acreditar que uma Selic muito abaixo deste patamar no final deste ano começará a pressionar as projeções de inflação de 2018 e 2019 para cima (horizonte de política que o BC começa a dar ênfase, como ficou claro no parágrafo 17 da ata divulgada hoje).

E, é claro, há riscos que ainda pairam sobre a economia, incluindo, de forma especial, a tramitação das reformas em Brasília (veja o último “E agora, Tavico?”).

De qualquer forma, vale a ressalva: se estas evoluírem bem, a taxa de juros real “neutra” da economia tende a cair – hoje, estudos sugerem que esteja por volta de 5,5% –, e isso possibilitará que a Selic nominal também caia mais (em relação ao que hoje estamos imaginando). Mas, embora acreditemos na boa tramitação das reformas, não queremos adotar uma expectativa extremamente otimista.

Voltamos àquilo que acabamos de falar: neste momento, continuamos a acreditar numa Selic por volta de 8,75% no final deste ano, e temos dificuldade em visualizar uma patamar muito abaixo disso, que não implique em desequilíbrios lá na frente.

Vamos ao nosso último comentário (que responde à primeira pergunta que nos fizemos). O BC confessou: pensou em cortar de forma ainda mais intensa a Selic, na última reunião do Copom (confissão que está no parágrafo 22 da ata). Esta talvez tenha sido a principal informação adicional do documento, deixando isso bastante explícito.

Dito de outra forma: o BC chegou a pensar num corte de mais de 1 ponto percentual, por conta da conjuntura econômica. Mas ponderou que “a continuidade das incertezas e dos fatores de risco […] ainda pairam sobre a economia”. Assim, intensificou o ritmo, mas nem tanto.

Nas próximas reuniões do Copom, a manutenção deste ritmo – de corte de 1 p.p. – nos parece fazer sentido, considerando as mesmas discussões e riscos que o BC explicita no documento. O BC, diga-se de passagem, também confessa que este conjunto de riscos “tornaria mais adequada a manutenção do ritmo imprimido nessa reunião”. Afinal, no final de maio, ainda não devemos ter as reformas aprovadas.


IGNACIO CRESPO REY
Mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro (FGV/EPGE), e graduado em Ciências Econômicas pelo Insper, São Paulo. Foi professor assistente do mestrado profissional em Economia do Insper, ministrando aulas sobre política monetária. Desde 2013, é economista da Guide Investimentos, responsável pelas análises de economia nacional e internacional.

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