“Taca-le pau nesse carrinho”, e nos juros

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15/03/2017 POR: Guide Investimentos

Os juros devem cair ainda mais, e mais rápido, nos próximos meses

De julho de 2015 a outubro de 2016, a Selic permaneceu estável, imóvel, em 14,25% ao ano. Afinal, o banco central (BC) tentava domar a inflação, que terminou 2015 em quase 11%, e teimava em permanecer alta e disseminada. Era um sintoma das políticas econômicas equivocadas desde o 2º mandato Lula.

Mas as coisas começaram a mudar. O governo e a diretoria do BC também mudaram. Fruto da recessão, a inflação, finalmente, tem recuado para níveis mais razoáveis. Nos últimos 12 meses, está em 4,76%. E as melhores perspectivas para o futuro do país – considerando as reformas que já foram e/ou que devem ser aprovadas no Congresso – permitem que o BC contribua, via corte de juros, para a recuperação econômica dos próximos trimestres.

É neste contexto que, desde outubro do ano passado, a Selic começou a cair. Ao todo, foram 4 cortes (2 cortes de 0,25 p.p. e 2 cortes de 0,75 p.p.). Porém, mais interessante do que analisar o passado, é tentar traçar cenários para o futuro. Até o final do ano, acreditamos que o BC acelerará o passo, e terá espaço para levar a Selic para 8,75%. O mercado, hoje, precifica algo entre 9,00-9,25%.

Queremos frisar: acreditamos que informações recentes – especialmente o IPCA de fevereiro, que veio abaixo do “piso” das projeções dos economistas – devem levar o BC a intensificar o ritmo dos cortes da Selic. Até aqui, o BC vinha manifestando “preferência por manter maior grau de liberdade quanto às decisões futuras”. Mas isso deve mudar.

No detalhe: para as próximas 2 reuniões do Copom (abril e maio), acreditamos que o BC fará cortes de 1 ponto percentual. Depois disso, tende a desacelerar o ritmo, adotando cortes de 0,75 p.p. (nas reuniões de julho e setembro). E não vislumbramos cortes para as últimas 2 reuniões do ano, em outubro e dezembro.

Ressalva: o alongamento do ciclo de queda de juros – ou seja, o potencial de a Selic terminar ainda abaixo do patamar que hoje estimamos – dependerá de diversas variáveis, incluindo riscos externos e a evolução da tramitação das reformas no Congresso. Este é o clássico disclaimer do BC e, neste caso, também o nosso.

De qualquer forma, uma coisa nos parece certa: nos últimos dias, aumentou o espaço para que o BC intensifique os cortes de juros. Lá vem os juros, descendo a ladeira…


IGNACIO CRESPO REY
Mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro (FGV/EPGE), e graduado em Ciências Econômicas pelo Insper, São Paulo. Foi professor assistente do mestrado profissional em Economia do Insper, ministrando aulas sobre política monetária. Desde 2013, é economista da Guide Investimentos, responsável pelas análises de economia nacional e internacional.

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