Sobre a temporada de balanços

E agora, Tavico?

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08/05/2017 POR: Guide Investimentos

A temporada de balanços corporativos teve início no final de abril (dia 20). E termina, a princípio, em meados deste mês (dia 15). Das empresas que temos alguma cobertura e/ou estão em nosso radar, pouco menos de 50% já divulgaram os seus números. Mas já vale a pergunta: como têm sido, ao menos até aqui, estes resultados?

Até o momento, a maioria dos resultados superou a nossa expectativa (e também a do mercado como um todo). Assim, estes balanços corroboram a nossa expectativa de crescimento do lucro das empresas que tínhamos há alguns meses, e que justificava, entre outras teses, a projeção positiva para o segmento de Renda Variável no país.

As companhias, de forma geral, vêm apresentando maiores volumes, gerações de caixa sólidas, e avanços na última linha. Com a retomada gradual da atividade econômica, continuidade da queda das taxas de juros, e um ambiente mais propício ao aumento de eficiência das companhias, vemos um cenário ainda mais positivo à frente. Devemos observar também à queda do custo do serviço da dívida, e elevação da utilização da capacidade instalada nos próximos períodos.

Resumo das avaliações até aqui: dos resultados já divulgados, 65% das empresas apresentaram uma performance que podemos classificar como “positiva”. E apenas 23% divulgaram números considerados como “negativos”. O restante, cerca de 12%, reportou resultados em linha com o esperado, mais “neutros”.

Dentre os destaques, figura o setor de “varejo” e “consumo”. O varejo apresentou sólidos resultados, considerados empresas como Renner, Magazine Luiza e Via Varejo, com crescimento nos volumes de vendas e com forte geração de caixa. Fatores como queda da inflação, Selic em baixa e aumento da confiança dos consumidores beneficiaram também os resultados de Pão de Açúcar, Hypermarcas, Hering e Arezzo, por exemplo. Em suma: este é um segmento que vem apresentando recuperação e, em nossa opinião, deve continuar com perspectivas positivas nos próximos períodos.

O setor de Saúde também tem sido destaque positivo. Fleury e Hermes Pardini apresentaram resultados robustos, com crescimento orgânico e avanço na estratégia de aquisições atrativas, superando as estimativas do mercado. Resiliência à conjuntura macro e perspectivas de médio prazo – como o envelhecimento da população brasileira – seguem sendo teses interessantes.

Quanto ao setor bancário, um ponto positivo foi o recuo nas provisões de créditos duvidosos (PDD) – algo que, após período de maior conservadorismo por conta do cenário macro desafiador, começa a diminuir. Santander e Bradesco surpreenderam de forma positiva o mercado com uma melhora na qualidade da carteira de crédito, e impulsionaram a rentabilidade de suas margens. Essa era uma dinâmica que esperávamos. Agora, acreditamos na volta gradual do crescimento da carteira de crédito dos grandes bancos nos próximos trimestres.

Na ponta oposta, o setor de papel e celulose sofreu um pouco mais do que outros, diante da desvalorização do dólar (real um pouco mais forte em relação aos últimos meses). A despeito do aumento dos volumes, o câmbio e o preço da commodity influenciaram de forma negativa a geração de caixa destas empresas e, consequentemente, os resultados como um todo deste setor. O preço da celulose no mercado externo está se recuperando, e os reajustes recentes têm sido repassados aos consumidores, fator que poderá ser interessante para os próximos resultados.

O começo de 2017 também apresentou uma ligeira melhora para a indústria de Bens de Capital. De modo geral, as empresas têm readequado as suas produções, melhorando sua eficiência e praticando um rígido controle de custos. No entanto, as quedas significativas nos volumes de vendas ainda pressionam a geração de caixa operacional dessas empresas, medido pelo Ebitda.

Acreditamos que este ano ainda deva ser de recuperação e ajustes nas operações. Por outro lado, o mercado brasileiro continua a tendência de normalização gradual do ambiente de negócios, e uma recuperação da atividade econômica neste ano deve puxar os volumes para cima, diminuindo a capacidade ociosa atual, sem exigir grandes investimentos das companhias.

Em relação as siderúrgicas e mineradoras, destacamos a melhora do consumo de aço e, após anos mais desfavoráveis, vemos este segmento menos pressionado. Mas vale fazer algumas diferenciações importantes.

Avanços importantes são observados naquelas empresas que fabricam aços planos, como Usiminas e CSN, cujo alívio ficou evidente. Já para o segmento de longos, liderado pela Gerdau, a situação é mais complicada. Em longos, não vimos avanços significantes, além da piora da demanda em função da espera pelo início dos projetos de infraestrutura. Os lançamentos no setor imobiliário ainda seguem estáveis em função das incertezas que pairam sobre o ritmo de recuperação macro, por exemplo. Por fim, para as mineradoras, o ponto principal está relacionado ao preço atual da commodity que, nos níveis atuais (US$ 60-65/ton.), acreditamos que são mais condizentes com os fundamentos macro. Vale notar: os resultados das mineradoras foram fortemente beneficiadas pelo elevado preço médio do minério no 1T17.

E a expectativa para os resultados restantes?

Continuamos à espera de números, de modo geral, mais positivos para os próximos balanços. Acreditamos que as empresas podem continuar surpreendendo de forma positiva o mercado. Em nosso cenário, 48% das companhias devem surpreender positivamente o mercado, e apenas 16% podem surpreender de forma negativa. Dentre os setores que devem continuar apresentando avanços significativos, damos destaque ao varejo, consumo, serviços financeiros e bancos.

Em nosso radar, mantemos atenção aos balanços das empresas de infraestrutura, como CCR e Rumo. Vale lembrar que o setor pode se beneficiar das políticas adotadas para a retomada dos investimentos em infraestrutura no país – tema já recorrente, que temos abordado com maior ênfase, de forma acertada, desde a mudança de governo, por exemplo.

Em relação as construtoras, no segmento de média-alta renda, embora os distratos comecem a aliviar os resultados das incorporadoras, a rentabilidade destas companhias devem seguir pressionadas, em função dos menores volumes vendidos. O segmento de baixa renda provavelmente continuará a superar o desempenho dos demais segmentos de renda, em meio ao programa MCMV mais sustentável e ao maior equilíbrio entre a oferta e a demanda, em nossa opinião.

Para finalizar, vale lembrar: ainda estão previstos balaços importantes nos próximos dias, como JBS, BRF, B3, Kroton, e algumas elétricas, entre outras. Seguimos atentos à divulgação destes números, e faremos, assim que a temporada terminar, novo balanço.

 

*Observação: com relação à metodologia: de um total de 194 empresas que divulgam seus resultados na BM&F Bovespa, nossa base de análise considera 112 companhias, levando em conta as informações da BM&FBovespa. Os dados envolvem empresas do índice Ibovespa somados a outros ativos que acompanhamos e mantemos, de forma especial, em nosso radar. As avaliações (positivo, negativo e neutro) são fundamentadas em nossas recomendações próprias e, por vezes, também consideram as avaliações do mercado como um todo, compiladas pela Bloomebrg. Os dados levam em conta as informações disponíveis até a tarde da última 6ª, dia 5 de maio.
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